Gustavo Damásio Monteiro

De wikITA

1963
2013

Minha vida no ITA

A vida no ITA foi muito gostosa. Era duro ter que estudar tanto, honrando a cultura da “Turma da Graminha”, cuja reputação era de ser “certinha e aplicada”. Mas havia os momentos descontraídos, onde cada um curtia o seu hobby.

Apesar de ser “eletrônico” a aeronáutica sempre me fascinou. Assim foi que consegui uma bolsa de estudos do Aeroclube local e me brevetei como piloto privado, voando Paulistinhas (vulgos “Teco-Tecos”). Mas o mais esportivo e divertido era voar planadores, nos quais também me brevetei.

Paulistinha
Planador pousando

Eu e outros pilotos do aeroclube fazíamos às vezes vôos panorâmicos com visitantes, nos fins de semana. Uma dessas visitas foi a de um colégio de freiras de São Paulo. Depois de voar com algumas das alunas, a freirinha líder do grupo também quis experimentar a aventura.

O avião era de duplo comando, com um manche (bastão de comando do avião) presente tanto no assento dianteiro como no traseiro. Com alguma dificuldade a freirinha conseguiu acomodar-se no banco de trás, perturbada com a presença do manche entre seus joelhos. Expliquei que ela precisaria deixar uma folga suficiente na batina para não obstruir o movimento do manche à medida em que eu o acionasse a partir do banco da frente para comandar o avião. A freirinha ruborizou e desistiu do voo, descendo do avião mais rapidamente do que havia embarcado.

Uma das alunas desse colégio de freiras, que já era minha conhecida anteriormente, casou-se comigo um ano após a formatura no ITA e faremos bodas de ouro em 2015.

Paulistinha rebocando um planador no CTA
Planador Neiva de instrução

No quarto ano do ITA fui escolhido para chefiar a comissão de viagem da turma que viajaria aos Estados Unidos. Uma outra comissão cuidou da viagem à Europa.

Quando a embaixada americana comunicou que nossa viagem fora aprovada, tive a inspiração de fazer uma esfuziante manifestação de agradecimento às funcionárias da embaixada que cuidaram do nosso pedido de viagem, enviando flores e cartões de agradecimento cuidadosamente elaborados.

Algumas semanas após, recebi uma comunicação da embaixada de que a nossa viagem não poderia ser realizada nas férias do fim do ano, como previsto, mas teria que ser adiada para julho do ano seguinte. Isso criou um problema para a nossa turma, pois a viagem patrocinada ao exterior era privilégio da turma do quarto ano da escola. A nossa conquista acabaria passando sem esforço para a turma do ano seguinte.

Iniciei uma campanha intensiva de questionamento do adiamento da viagem, mas o governo americano se mostrava irredutível. A embaixada refutava nosso principal argumento afirmando que o adiamento da nossa viagem em nada interferiria com a possibilidade de nova viagem para a turma de 1964. Em face da minha insistência, a embaixada formalizou essa afirmação em uma carta. Para compensar os transtornos causados (alguns de nós já haviam até comprado roupas especiais para enfrentar o inverno americano) obtivemos algumas concessões especiais e cortesias do governo americano para a nossa viagem no verão. Ficamos sempre hospedados em ótimos hotéis e viajamos em voo comercial, bem melhor do que o avião militar que trouxe a turma da Europa e que precisou fazer escala forçada de mais de um dia na Ilha do Sal para reparos no avião.

Quando a viagem da turma de 1964 aos Estados Unidos não foi aprovada pelo governo americano, a nossa turma foi acusada de violação da regra que dava à turma do 4º ano o direito de exclusividade para viagens desse tipo. Eu fui chamado ao DOO (Depto. de Ordem e Orientação do ITA) para explicações. Graças à carta da embaixada americana afirmando a independência ente as duas solicitações de viagem, o DOO considerou a turma de 1963 isenta de culpa, descartando a lisonjeira alegação da turma de 1964 de que eu havia “pressionado o governo americano” para obter aquela carta.

Minha vida profissional

Embarque para EUA para estudo de computadores

Depois de formado, minha vida profissional enveredou rapidamente para a área da informática. Trabalhei 3 anos na UNIVAC, que mais tarde fundiu-se com a Burroughs, dando origem à UNISYS. Instalei os primeiros computadores comerciais da UNIVAC no Brasil (Vide Foto anexa do jornal Brazil Herald da época).

Em 1967 consegui uma bolsa de estudos do governo americano para obter um Mestrado em Engenharia de Sistemas pela Universidade da California em Los Angeles (UCLA). Meu primeiro filho completava um ano quando embarcamos para a California; a minha filha nasceu no hospital da UCLA.

Voltando dos Estados Unidos trabalhei 3 anos como consultor em informática na Divisão de Consultoria da Price Waterhouse. Deixei essa posição para assumir a Diretoria Técnica da PRODESP, cargo que exerci por 8 anos. Após 2 anos como Diretor Financeiro da Nossa Caixa retornei à Price Waterhouse, onde atuei por mais 3 anos, como Diretor Nacional de Consultoria em Informática. A partir de 1983 me estabeleci por conta própria, ainda como consultor e desenvolvedor de sistemas de informática. Depois que meus 3 filhos emigraram para a Europa, Estados Unidos e Canadá, emigrei também (em 2009) para o Canadá, onde resido em Toronto.

A partir de 1990 meu interesse pela espiritualidade se acentuou e após várias incursões por diversas linhas de conhecimento fixei-me naquela conhecida como Pathwork. Com base nos ensinamentos do Pathwork iniciei uma prática de “Coaching”, ajudando pessoas a encontrar um sentido mais claro para suas vidas, desenvolvendo também a autoestima, a autoconfiança e a autorresponsabilidade. Essa é a atividade que, inciada ainda no Brasil, desenvolvo agora no Canadá. Criei também uma opção (Pathwork Online) para os que desejam se familiarizar e trabalhar com o método Pathwork via Internet.


Turma de 1963

Links externos

Resumo do TG

Ferramentas pessoais