Willem Maarten Roorda

De wikITA

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Faleceu em um acidente de moto em São José dos Campos, na Av. Nove de Julho, nas imediações do Vicentina Aranha, em 1973.

Crônica de Irapuan de Menezes Braga publicada n'O Suplemento #6, de outubro de 1973

"Que é que há, meu bichinho?"

"Meu bichinho" era eu, reminiscência do trote e da turma do Rio: Álvaro, Bentim, Marcelo, Rezende, Afonso, Bove, Caiado, Willem - os quatro últimos, aliás, cariocas só de espírito - alguns dos quais também já se foram, outros que andam meio mocados.

"Já deu uma sacada na máquina, cara?"

"Cê trocou pelo fusca? Tô piruando uma voltinha, pode ser?"

"Depois, cara, depois. Primeiro tenho que amaciar."

Despreocupação. Felicidade. Do garôto Willem.

Lembro a tarde de inverno em que ele estreou o gorro de lã; qual cota de malha medieval, escondia a testa e o pescoço, só descobrindo parte da face. No alto uma borla vermelha, criticada pelos que, à sua volta, apreciavam os preparativos.

"Pois é, cara. Ficava melhor sem a borla. Mas a garôta fez especialmente prá mim, daí eu tenho que usar, né?"

A moto ronca. Lá se vai o cavaleiro andante. O garôto Willem.

O inverno já se foi, e com ele a touquinha de lã. Os cabelos, só presos à testa pela fita colorida, voam sobre a moto ligeira na tarde quente de quasi-primavera.

Súbito, o caminhão que atravessa a avenida. A emoção do perigo, a decisão instantânea: frear, reduzir a marcha, frear.

O tempo que escorre, a sensação de falha. O mêdo.

Os pensamentos voam céleres à casa distante.

Uma última manobra - desesperada, enérgica, decidida - antes um reflexo, de um bom piloto: virar todo o jogo, girando sobre o pé.

A derrapagem. O choque da máquina contra a máquina. A pancada contra o solo, sem capacete.

Azar, cara. Do garôto Willem.

Amostra Grátis (ELE-78) 18/09/1973


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